Pilotagem eficiente: a estratégia por trás de cada quilômetro da Shell Eco-marathon Brasil 2026
No cockpit, estudantes combinam aceleração, controle de velocidade e leitura da pista para percorrer mais quilômetros com menos energia; mais da metade das equipes possui uma mulher no volante

Em uma disputa automobilística, acelerar costuma significar ganhar tempo. Já na Shell Eco-marathon Brasil, uma das maiores competições acadêmicas de eficiência energética do mundo, acelerar além do necessário pode significar perder eficiência. O desafio não é ser o primeiro a cruzar a linha de chegada, mas percorrer a maior distância possível com a menor quantidade de energia. E, nesse caso, a pilotagem pode ser tão estratégica quanto as soluções de engenharia usadas para construir o veículo. Na edição desse ano, quando a disputa comemora dez anos no Brasil, a competição recebe mais de 500 universitários divididos em 46 equipes – do Brasil, México, Colômbia e Peru – na disputa pelo pódio nas categorias Combustão Interna, Bateria Elétrica e Hidrogênio. Os vencedores serão definidos nessa quinta-feira (27), terceiro e último dia da competição.
Mas dirigir devagar não é o suficiente. Cada tentativa precisa ser concluída dentro do tempo determinado pela competição. Cabe ao piloto encontrar, junto com a equipe, um ritmo capaz de equilibrar velocidade e consumo, definindo quando acelerar, reduzir o ritmo, como abordar as curvas ou simplesmente deixar o veículo aproveitar o próprio movimento.
É o automobilismo sob a lógica da eficiência: em vez de buscar velocidade máxima, o objetivo é evitar ações que aumentem o consumo sem contribuir para o desempenho. Segundo Norman Koch, gerente-geral global da Shell Eco-marathon, apesar de toda a tecnologia dos veículos, 50% do sucesso da prova fica à cargo do piloto.
“Muita coisa depende de a pessoa dentro do carro fazer a prova perfeita, não encontrar tráfego e não cometer erros. Sabemos que todo o trabalho da equipe depende daqueles 25 minutos de condução. O piloto pode comprometer ou contribuir com o resultado”, comenta.
Para Fernanda Lauro, pilota da EcoVeículo, da Universidade Federal de Itajubá (Unifei), a estratégia começa antes mesmo das curvas. Sempre que possível, ela reduz a velocidade com antecedência, evitando manter a aceleração até o último momento e recorrer ao freio.
“Para fazer uma curva, é melhor desacelerar do que frear, porque frear perde eficiência. Então, não posso ficar freando o tempo todo, uso esse recurso somente quando necessário”, explica.
O acelerador exige a mesma precisão. A EcoVeículo trabalha com referências próprias para orientar o quanto a Fernanda deve exigir do sistema durante cada tentativa. Segundo a pilota, uma velocidade próxima dos 20 km/h costuma ser eficiente para o veículo da equipe, mas a estratégia também precisa considerar o tempo de prova. A dinâmica mostra por que andar o mais devagar possível nem sempre é a melhor estratégia. Para chegar mais longe com menos energia, é preciso encontrar a velocidade adequada para cada carro, trecho e momento da tentativa.
Precisão volta após volta
Obter o ritmo ideal é parte do desafio. Reproduzi-lo ao longo da prova é outra. Uma frenagem mais forte, uma aceleração antecipada ou uma curva feita de maneira diferente podem alterar o consumo e indicar ajustes para a volta seguinte. Para Nycolle Araújo, pilota da Rhino Eco Racing, da Universidade Federal Fluminense (UFF), em Volta Redonda, a diferença está justamente no controle desses pequenos movimentos.
“Você pensa: ‘pisei muito no freio’, ‘preciso segurar mais aqui nessa curva’. Todo movimento tem que ser suave. É preciso dosar tudo, pois é isso que vai fazer a diferença. Além disso, o veículo foi feito com as minhas medidas, pescoço, ombros, o volante também é adaptado para o tamanho das minhas mãos. Tudo isso me ajuda a ter mais controle”, conta.
Mais mulheres no cockpit
A presença de Fernanda e Nycolle também revela outra característica da competição: mais da metade das equipes da Shell Eco-marathon 2026 possui uma mulher no volante. Em veículos nos quais massa e dimensões influenciam no desempenho na competição, as características físicas de quem pilota também podem ser consideradas pelas equipes. Mas para Norman, a escolha por mulheres a frente do volante não é apenas uma questão física:
“Todas as equipes querem utilizar o piloto mais leve possível, isso é natural. Mas é mais do que isso. Este não é um esporte movido a adrenalina. A última coisa de que você precisa é alguém que pise fundo no acelerador. Você quer evitar os outros carros e precisa dirigir de forma muito calma e controlada. A pessoa que pilota precisa permanecer calma sob estresse e pressão e não tentar disputar com o carro à sua frente”, explica
Além do volante, as mulheres estão presentes em diversas funções nas equipes. Na Rhino Eco Racing, por exemplo, 32 dos 52 integrantes da equipe são mulheres, atuando em diferentes frentes do projeto.
Sobre a Shell Eco-marathon
A Shell Eco-marathon é uma competição global que reúne estudantes universitários para projetar, construir e operar veículos com alta eficiência energética. Há mais de 40 anos, o programa incentiva soluções energéticas mais limpas, promovendo colaboração e inovação com foco na redução de emissões de carbono.
A competição conta com três categorias de energia: combustão interna (gasolina e etanol), bateria elétrica e hidrogênio, cada uma dividida em duas classes de veículos: protótipo e conceito urbano. Os veículos passam por inspeção técnica e percorrem um circuito buscando o menor consumo de energia possível. Vence a equipe que alcançar a maior distância com a menor quantidade de energia.
Serviço
Evento: Shell Eco-marathon Brasil 2026
Data: 25 a 27 de agosto de 2026, de 9h às 17h
Local: Armazém 4, Píer Mauá – Rio de Janeiro
Entrada para o público: gratuita, mediante inscrição pelo site oficial
Sobre a Shell
Desde 1913 no país, a Shell Brasil é uma companhia de energia integrada, com participação nos setores de Petróleo e Gás, Soluções Baseadas na Natureza, Pesquisa & Desenvolvimento e Trading, por meio da comercializadora Shell Energy Brasil. A companhia está presente ainda no segmento de Biocombustíveis por meio da joint-venture Raízen, que no Brasil também gerencia a distribuição de combustíveis da marca Shell. A Shell Brasil trabalha para atender à crescente demanda por energia de forma econômica, ambiental e socialmente responsável, avaliando tendências e cenários para responder ao desafio do futuro da energia.
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