Campo de Mero, no pré-sal da Bacia de Santos, recebe tecnologia inédita para monitoramento sísmico
Shell Brasil, Petrobras, SENAI CIMATEC e Sonardyne concluem primeira fase de qualificação de sistema de nós sísmicos submarinos OD OBN com marco relevante.

O campo de Mero – localizado no pré-sal da Bacia de Santos e operado pelo consórcio formado pela Petrobras (38,6%), Shell Brasil (19,3%), TotalEnergies (19,3%), CNPC (9,65%), CNOOC (9,65%) e PPSA (3,5%) – contará com uma tecnologia inédita para a aquisição de sísmica 4D. A primeira fase de qualificação do sistema de nós sísmicos submarinos sob demanda (OD OBN, na sigla em inglês) foi concluída, com a implantação de 84 unidades no leito marinho a aproximadamente dois mil metros de profundidade. Este é um projeto com recursos da Shell Brasil e do CENPES, da Petrobras, advindos da cláusula de PD&I da ANP, e com execução do SENAI CIMATEC e da Sonardyne.
A tecnologia foi desenvolvida para apoiar o gerenciamento de reservatórios de petróleo, oferecendo uma nova alternativa para a aquisição de sísmica 4D — técnica utilizada para acompanhar o comportamento dos fluidos dentro do reservatório. Esse tipo de informação permite aprimorar a tomada de decisões sobre produção e injeção de fluidos, contribuindo para operações mais eficientes.
A qualificação marca um novo passo após oito anos de desenvolvimento da tecnologia, que incluíram etapas de projeto conceitual, fabricação de protótipos, testes em laboratório e mais de dois mil dias de testes em águas profundas. A implantação permitiu validar a logística do sistema de instalação e, durante a operação, alguns dos equipamentos passaram por um teste de validação da transmissão de dados por comunicação óptica a laser.
"A operação de deposição das primeiras 84 unidades OD OBNs do lote piloto é um passo muito importante para o programa e para a comercialização do produto. O sucesso dessa etapa crítica nos orgulha muito e reflete a maturidade alcançada ao longo do desenvolvimento. Seguimos avançando para as próximas fases deste projeto desafiador.", afirma Valter Beal, líder de projetos de Inovação no SENAI CIMATEC.
"Concluir a primeira fase de implantação dos OD OBNs em Mero é um passo decisivo na maturação de uma tecnologia com forte potencial de gerar valor real ao offshore. As próximas etapas – de aquisição sísmica, coleta de dados e interpretação – seguirão nos próximos meses. Em parceria com Petrobras, SENAI CIMATEC e Sonardyne, buscamos transformar P&D nacional em decisões de reservatório mais frequentes, precisas e eficientes, fortalecendo um pré-sal mais competitivo e sustentável”, avalia Manoela Lopes, Diretora de Tecnologia e Inovação da Shell Brasil.
As fases de aquisição sísmica e coleta de dados concluem a qualificação do OD OBN. A aquisição consistirá em um levantamento sísmico sobre a área monitorada, e a coleta abrangerá a recuperação dos dados registrados por comunicação óptica. O processamento e a interpretação dos dados seguirão o fluxo habitual de um levantamento sísmico 4D, com o objetivo de avaliar o desempenho do sistema e seu potencial de apoiar o gerenciamento de reservatórios.
“Pela primeira vez, estamos desenvolvendo, no Brasil, a tecnologia que nos permitirá o monitoramento sísmico dos campos do pré-sal. Isso mostra que o investimento em ciência e tecnologia, por meio de parcerias entre empresas e instituições de pesquisa, pode gerar desenvolvimento industrial no país”, afirma Lílian Barreto, gerente executiva do CENPES, o Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação da Petrobras. “É um produto comercial de maior grau tecnológico que melhora nossa eficiência operacional offshore, reduzindo riscos operacionais e contribuindo para operações com menor intensidade de emissões”, acrescenta.
A Sonardyne contribuiu com tecnologias de comunicação subaquática acústica e óptica, que permitem que os nós sejam controlados e que os dados sejam recuperados em ambientes de águas profundas. A empresa também oferece integração de sistemas e expertise em engenharia, além de ser corresponsável pela fabricação do sistema piloto do OD OBN no Brasil, juntamente com o SENAI CIMATEC.
“Ver o sistema OD OBN implantado com sucesso em Mero é uma forte validação da tecnologia e do trabalho colaborativo de P&D por trás dele”, afirma Shaun Dunn, Diretor de Projetos da Sonardyne. “Estamos ansiosos para avançar para a próxima fase do projeto, que envolve a plena comercialização e a fabricação no Brasil.”
Como funciona a tecnologia
Os nós OD OBN são sensores que captam ondas sísmicas refletidas nos reservatórios de petróleo. Essas informações são processadas em supercomputadores, permitindo o ajuste das taxas de extração e reinjeção de água e gás para estimular a produção dos poços. O diferencial da tecnologia desenvolvida é que os equipamentos poderão operar por até cinco anos no fundo do mar, a uma profundidade de até três mil metros, sendo ativados e desativados remotamente. A extração de dados é feita por meio de comunicação óptica com veículos subaquáticos.
Sobre a Shell
Desde 1913 no país, a Shell Brasil é uma companhia de energia integrada, com participação nos setores de Petróleo e Gás, Soluções Baseadas na Natureza, Pesquisa & Desenvolvimento e Trading, por meio da comercializadora Shell Energy Brasil. A companhia está presente ainda no segmento de Biocombustíveis por meio da joint-venture Raízen, que no Brasil também gerencia a distribuição de combustíveis da marca Shell. A Shell Brasil trabalha para atender à crescente demanda por energia de forma econômica, ambiental e socialmente responsável, avaliando tendências e cenários para responder ao desafio do futuro da energia.
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Sobre a Petrobras
A Petrobras é uma empresa de capital aberto que atua de forma integrada e especializada na indústria de petróleo, gás natural e energia. A expertise da Petrobras em exploração e produção é resultado de décadas de desenvolvimento nas bacias brasileiras, especialmente em águas profundas e ultraprofundas. Isso a tornou líder mundial no segmento. Seus negócios vão além da exploração e produção de petróleo e gás, e incluem refino, distribuição, logística, petroquímica e geração de energia. A Companhia inova constantemente para maximizar valor e competitividade em negócios de baixo carbono, visando a diversificação a longo prazo. O objetivo é lançar e desenvolver fontes renováveis no Brasil, criando possibilidades para impulsionar o movimento de transição energética e, ao mesmo tempo, garantir a segurança energética e reduzir as emissões de gases de efeito estufa em suas operações.
Sobre o SENAI CIMATEC
O SENAI CIMATEC é uma das principais instituições de tecnologia e inovação do Brasil, dedicada ao desenvolvimento de pesquisa aplicada e soluções para a indústria. Fundado em 2002 e com sede em Salvador, é uma instituição sem fins lucrativos que integra, de forma sinérgica, um Centro Tecnológico, uma Universidade e uma estrutura de educação profissional e tecnológica.
Atua em 44 áreas de competência, incluindo Robótica, Automação, Energia, Saúde, Alimentos, Supercomputação e Inteligência Artificial. Opera em modelo multicampi, com unidades especializadas como o CIMATEC Park e os campi Sertão, Aeroespacial e Digital e Criativo.
Desenvolve projetos de relevância nacional e internacional, como o primeiro robô submarino autônomo do mundo para inspeção de equipamentos em águas profundas.
Sobre a Sonardyne
A Sonardyne é uma empresa britânica, privada, de engenharia de equipamentos e sistemas offshore de classe mundial que desenvolve e fabrica tecnologias, produtos e soluções para os mercados globais de petróleo e gás, energias renováveis, sequestro de carbono, ciências oceânicas e defesa. Nossos principais pontos fortes são navegação, posicionamento, comunicações sem fio, robótica marinha, monitoramento e engenharia personalizada, tudo dentro da nossa missão de "fazer funcionar o subaquático".
A sede global da Sonardyne está localizada próximo a Londres, na Inglaterra, e lá são realizadas nossas operações de engenharia e fabricação. Além da sede, nós temos escritórios regionais para operações de vendas e suporte técnico. Esses escritórios regionais estão localizados em Cingapura, Aberdeen, Houston e aqui no Brasil em Rio Das Ostras no estado do Rio, e nós também temos funcionários baseados aqui em Salvador, no Senai Cimatec, desde 2018.
A Sonardyne Brasil Limitada foi inaugurada em Macaé há 27 anos e tem operado, desde então, com vendas locais e operações offshore. Atualmente, existem aproximadamente 50 embarcações no Brasil que operam com nossos sistemas de posicionamento e navegação submarina: plataformas de perfuração, embarcações de suporte com ROV, navios oceanográficos, entre outros.
Um dado importante que vale ser mencionado sobre as operações com uso de soluções Sonardyne no Brasil é que, até onde vai nosso conhecimento, em todos os campos de exploração em águas profundas, a tecnologia Sonardyne foi utilizada para o posicionamento das estruturas metálicas que compõem o sistema de produção submarino.