Anatomia da eficiência: o que faz os carros da Shell Eco-marathon Brasil consumirem menos energia?
Do formato da carroceria à maneira de dirigir, estudantes mostram que não existe uma fórmula única para reduzir o consumo de energia
Na Shell Eco-marathon Brasil 2026, competição acadêmica realizada de 25 a 27 de agosto no Píer Mauá, no Rio de Janeiro, estudantes de diferentes universidades brasileiras e latino-americanas colocam à prova soluções para aumentar a eficiência energética de seus veículos ultraeficientes. Aerodinâmica, redução de peso, pneus, eletrônica, motor e estratégia de condução fazem parte de uma equação em que pequenos ganhos podem fazer grande diferença no resultado final. Nesta edição, mais de 500 universitários – divididos em 47 times – competem pelo pódio nas categorias Combustão Interna (gasolina e etanol), Bateria Elétrica e Hidrogênio.
As equipes são desafiadas a percorrer a maior distância possível com a menor quantidade de energia. Não há, porém, uma única tecnologia responsável pelo desempenho. Em protótipos de alto nível, mais de cem de parâmetros são considerados e precisam funcionar em conjunto. O recorde mundial da competição para um veículo a gasolina, por exemplo, é de 3.771 quilômetros com um litro de combustível, resultado calculado a partir do consumo medido durante a prova. No Brasil, os recordes são de 716 quilômetros com 1 litro de gasolina, alcançado em 2023, e de 381 quilômetros com 1 kWh, com motor a bateria elétrica, alcançado em 2024.
“Não existe uma solução mágica. Para atingir esse nível de eficiência, tudo precisa ser otimizado: o carro deve ser o mais leve possível, a condução precisa ser precisa e cada componente deve funcionar da forma mais eficiente. É a combinação de todos esses fatores que permite chegar a resultados tão impressionantes”, afirma Norman Koch, gerente-geral global da Shell Eco-marathon.
Eficiência de ponta a ponta
Na Shell Eco-marathon, equipes universitárias competem com veículos movidos a bateria elétrica, combustão interna e célula de combustível a hidrogênio em duas categorias: protótipo e conceito urbano. Embora cada fonte de energia apresente desafios diferentes, as equipes compartilham o mesmo objetivo: identificar onde é possível reduzir perdas e aproveitar melhor a energia disponível.
A Ecofet Prototype, do CEFET-MG, participa de competições de eficiência energética desde 2009. Depois de competir com um protótipo elétrico no ano passado, a equipe chegou à edição deste ano com um veículo movido a gasolina.
“O carro como um todo já é pensado para gastar menos. Tem a questão aerodinâmica, o peso, que a gente tenta sempre reduzir e deixar o carro o mais leve possível. É um conjunto de fatores que faz o modelo gastar menos”, conta Pedro Figueiredo, integrante da equipe.
A aerodinâmica é um exemplo. Quanto maior a resistência do ar, mais energia o veículo precisa para avançar. “Quanto mais o carro tiver que lutar contra o vento, mais gasolina será utilizada nesse processo”, resume Pedro.
Na GCEE Cátodo, da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste), até os pneus fazem parte dessa busca. A equipe compete com um protótipo a hidrogênio, construído do zero nos últimos meses, com carroceria de fibra de carbono e fibra de vidro.
“Neste ano, viemos com pneus mais finos, mais apropriados para esse tipo de categoria, e também com uma eletrônica nova, que consegue aproveitar melhor a energia da célula e converter isso em movimento”, explica Fernando Gaiotto, professor e coordenador da equipe.
Já a Fenrir, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), buscou ganhos no controle do motor, no circuito elétrico, no peso da estrutura e no alinhamento da direção. Até o chicote elétrico, conjunto de fios que distribui energia pelo veículo, foi redesenhado para reduzir perdas.
“O chicote que fizemos neste ano é mais eficiente. Ele foi pensado para evitar que parte da energia seja desperdiçada na forma de calor antes mesmo de ajudar a movimentar o carro”, conta Samuel de Lima, integrante da equipe.
Independentemente da fonte de energia, o princípio é o mesmo: não há um único componente responsável pelo desempenho. Motor, materiais, pneus, eletrônica, aerodinâmica e condução precisam trabalhar juntos para que os veículos percorram distâncias maiores utilizando menos energia.
Sobre a Shell Eco-marathon
A Shell Eco-marathon é uma competição global que reúne estudantes universitários para projetar, construir e operar veículos com alta eficiência energética. Há mais de 40 anos, o programa incentiva soluções energéticas mais limpas, promovendo colaboração e inovação com foco na redução de emissões de carbono.
A competição conta com três categorias de energia: combustão interna (gasolina e etanol), bateria elétrica e hidrogênio, cada uma dividida em duas classes de veículos: protótipo e conceito urbano. Os veículos passam por inspeção técnica e percorrem um circuito buscando o menor consumo de energia possível. Vence a equipe que alcançar a maior distância com a menor quantidade de energia.
Serviço
Evento: Shell Eco-marathon Brasil 2026
Data: 25 a 27 de agosto de 2026, de 9h às 17h
Local: Armazém 4, Píer Mauá – Rio de Janeiro
Entrada para o público: gratuita, mediante inscrição pelo site oficial
Sobre a Shell
Desde 1913 no país, a Shell Brasil é uma companhia de energia integrada, com participação nos setores de Petróleo e Gás, Soluções Baseadas na Natureza, Pesquisa & Desenvolvimento e Trading, por meio da comercializadora Shell Energy Brasil. A companhia está presente ainda no segmento de Biocombustíveis por meio da joint-venture Raízen, que no Brasil também gerencia a distribuição de combustíveis da marca Shell. A Shell Brasil trabalha para atender à crescente demanda por energia de forma econômica, ambiental e socialmente responsável, avaliando tendências e cenários para responder ao desafio do futuro da energia.
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