Rio de Janeiro – Criado originalmente pela Shell Brasil e Senai CIMATEC, e depois aperfeiçoado e industrializado pela Saipem, o FlatFish completou dez anos, mas permanece um projeto de ponta. O plano de desenvolvimento do protótipo do primeiro veículo autônomo submarino brasileiro (AUV) teve estreita colaboração entre pesquisadores brasileiros e estrangeiros. É uma solução disruptiva que reúne tudo o que há de mais moderno na robótica submarina: inteligência artificial, processamento de dados e docagem no fundo do mar. Recursos essenciais para o cenário brasileiro extremamente desafiador de grandes profundidades e para um mundo ávido por soluções sustentáveis.

O FlatFish é a prova de que investir em inovação, educação e tecnologia gera resultados com efeito multiplicador. Do plano à execução, o AUV deixou um legado de capacitação no Brasil. O projeto foi o ponto de partida para a criação do BIR, o Instituto Brasileiro de Robótica no SENAI CIMATEC, na Bahia. Há dez anos, não havia nada parecido no país e o mercado carecia de profissionais com alto nível de especialização para desenvolver um projeto tão desafiador. O recurso para financiar e capacitar jovens engenheiros veio da Shell Brasil, por meio da cláusula de Pesquisa & Desenvolvimento da ANP (Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis). Foi firmado, então, um convênio com o DFKI – um centro de pesquisa alemão para pesquisa de Inteligência Artificial – que abriu caminho para a transferência de conhecimento, permitindo prosseguir com a pesquisa e fundar um núcleo de excelência em robótica nacional. Leonardo Nardy, gerente de desenvolvimento de Negócios do SENAI CIMATEC, lembra que os primeiros anos de cooperação entre pesquisadores de Salvador e Bremen (Alemanha) foram intensos: “o intercâmbio proporcionou a capacitação tecnológica necessária para assumir novos e mais desafios de alta complexidade e com grandes empresas, inclusive de outros segmentos que vão além do óleo e gás. Atualmente, mantemos uma equipe de 70 pesquisadores especializados em sistemas autônomos e 150 pessoas trabalhando em diferentes disciplinas envolvidas em projetos de robótica”.

O drone submarino pode alcançar até 3000m de profundidade, com a vantagem de se mover em todas as direções. No ano passado, testes-piloto realizados pela Saipem em águas profundas no Parque das Conchas (BC 10), na Bacia de Campos, geraram resultados positivos e um marco: o AUV submergiu a 1750m. “Vivemos uma nova era de inspeções e intervenções submarinas autônomas. O robô desempenha um papel importante em áreas onde os humanos não podem operar. Sem dúvida, reduz custos e representa um esforço para descarbonizar o setor de óleo e gás”, ressalta Rosane Zagatti, gerente de Tecnologia da Shell Brasil. O plano de maturação da tecnologia ambiciona que “ele consiga ficar sem emergir por até seis meses porque faz a recarga numa ‘garagem submarina’, após cada missão”, acrescenta. A longa autonomia debaixo d’água dispensa o auxílio de embarcações de apoio nas operações e, consequentemente, contribui para a redução nas emissões de gases de efeito estufa (GEE) provocadas pela logística.

O FlatFish oferece mais segurança nas operações, pois os dados ajudam a antecipar anomalias em equipamentos e estruturas e prevenir acidentes. As inspeções visuais geram imagens tridimensionais em alta resolução. Além disso, a tecnologia otimiza recursos e contribui para diminuir emissões, enquanto monitora infraestruturas submarinas complexas de forma rotineira. O equipamento tem fôlego para ir além e desbravar outros “mares”, podendo ser aplicado em projetos offshore de energia renovável (infraestrutura de torres eólicas), captura e armazenamento de dióxido de carbono (CO2) submarino e para mineração em alto-mar.

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