
A odisseia até o Rio: protótipos de veículos cruzam a América Latina para competir na Shell Eco-marathon Brasil
Estudantes encaram viagens de até 12 horas e operação logística antes de chegar à pista do Píer Mauá
Para as sete equipes da América Latina, o desafio começa muito antes de chegar à pista da Shell Eco-marathon Brasil 2026. Vindas do México, da Colômbia e do Peru, elas percorreram milhares de quilômetros até o Rio de Janeiro, trazendo seus protótipos de veículos para participar de uma das maiores competições de eficiência energética do mundo. Fazer esses veículos cruzarem o continente exige uma operação cuidadosa: desmontar os carros, embalar e proteger os componentes durante a viagem e, ao chegar ao destino, remontar, ajustar e preparar os protótipos para as inspeções técnicas e de segurança que antecedem a entrada na pista.
É o caso da Eco Motors UNI, da Universidad Nacional de Ingeniería (UNI), do Peru. A equipe enfrentou cerca de dez horas de deslocamento aéreo até o Brasil com um veículo que precisou ser parcialmente desmontado para a viagem. O grupo chegou ao Rio no sábado (22) e, desde então, trabalha na remontagem e nos ajustes do protótipo antes de submetê-lo às inspeções técnicas e de segurança.
Para César Mendoza, professor da Eco Motors UNI, os desafios do transporte também fazem parte da formação dos estudantes:

destaca César.“Foi uma viagem cansativa e tivemos todo o cuidado para transportar um protótipo no qual trabalhamos há mais de um ano. Algumas partes precisaram ser desmontadas e, quando chegamos ao Rio, começou o trabalho de montar e preparar tudo novamente. Mas esses desafios ficam pequenos diante da importância que uma experiência como a Shell Eco-marathon tem para os estudantes. No futuro, quando forem engenheiros, eles vão se lembrar também de tudo o que precisaram solucionar para chegar até aqui”
Para a EcoVolt CCM, do ITESM Campus Ciudad de México, o desafio foi transportar o protótipo por milhares de quilômetros até o Rio, protegendo-o contra impactos e o manuseio durante uma viagem internacional. Para isso, os próprios estudantes construíram caixas sob medida para as diferentes partes do carro e planejaram como acondicionar cada componente ao longo de cerca de 12 horas de deslocamento aéreo.
Depois do pouso, porém, surgiu um problema que não estava nos planos. Já no Rio, a equipe descobriu que o protótipo não caberia no veículo disponível para levá-lo ao destino final. A solução foi reorganizar a carga e distribuir as partes do carro entre diferentes táxis para completar os últimos quilômetros da viagem.

“Nosso carro pode ser desmontado em partes, mas, mesmo assim, transportá-lo de avião exigiu bastante planejamento. Construímos caixas específicas para as dimensões do protótipo e pensamos em como protegê-lo durante toda a viagem.
Quando chegamos ao Rio, ele também não cabia inteiro no transporte que tínhamos, então tivemos de dividi-lo e usar diferentes táxis. No fim, encontrar soluções para esses problemas também faz parte do trabalho de engenharia da equipe”, conta Oscar Hernández García, membro da EcoVolt CCM.
Agora no Rio de Janeiro, as equipes se concentram na remontagem, nos ajustes e na preparação dos protótipos para as inspeções técnicas e de segurança antes de entrarem na pista.